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MANTRA OM MANI PADME HUM
(SALVE A JÓIA NO LÓTUS)
OM...
Que eu seja portador da Verdade e que lea porte a mim. Que eu seja como um espelho a refletir a Luz Divina. Que eu seja como o vento, intocado e sempre o mesmo apesar das diferentes fragrâncias que ele transporta.
MANI...
Que minha mente seja a pedra filosofal a transformar o cobre do mundo no ouro da espiritualidade. Que ela seja firme e diamantina, com clareza inigualável. Que ela converta os diversos tons da Verdade no feixe Absoluto.
Padme...
Que minha mente se expanda e perceba cada vez mais a Consciência. Que a Consciência se expresse no meu sorriso. Que prajña (2) se faça presente nas cinco esferas. (3)
Hum...
Que a sua presença perceba a sublime fragrância da Compaixão. Ó mente! Que tu seja como uma abelha enlouquecida pela Doce fragrância! Que tu pouse no coração de todos os seres e alimente-os. E só pare quando todos estiverem cheios de todo o Vazio. Aí, e somente aí, desvaneça-se e se torne Buddha, ó mente minha!
Notas: 1. Om Mani Padme Hum (do sânscrito): Sua tradução literal é: "Salve a jóia no lótus". Esse é um mantra de evocação do bodhisattva da compaixão entre os budistas tibetanos e chineses. Om é a vibração do TODO. Mani é a "Jóia espiritual que mora no coração", ou seja, é o próprio espírito, atman, essência de Brahman. Lótus é o chacra cardíaco que envolve energeticamente essa jóia sutil. Hum é a vibração dessa compaixão do TODO vertendo a luz pelo chacra cardíaco a favor de todos os seres. 2. Prajña (do sânscrito): Sabedoria. 3. Cinco Esferas: Alusão ao sistema de chacras do Budismo tibetano, composto de cinco chakras e não sete.
O mantra mais conhecido do buddhismo tibetano é Om Mani Padme Hum (os tibetanos pronunciam Om Mani Peme Hum), associado ao bodhisattva da compaixão, Avalokiteshvara. Nesse mantra, a sílaba Om representa a presença física de todos os buddhas. A palavra Mani, que em sânscrito significa jóia, simboliza a jóia da compaixão de Avalokiteshvara, capaz de realizar todos os desejos. A palavra Padme significa lótus, a bela flor que nasce no lodo; do mesmo modo, devemos superar o lodo das negatividades e desabrochar as qualidades positivas. A sílaba Hum, representando a mente iluminada, encerra o mantra. |
Os mantras nem sempre possuem um significado claro e muitos deles são compostos por sílabas aparentemente ininteligíveis. Mesmo assim, eles
são efetivos porque ajudam a manter a mente quieta e pacífica, integrando-a automaticamente na concentração. Eles fazem a mente ser receptiva às vibrações muito sutis e, portanto, aumentam sua percepção. Sua recitação erradica as negatividades grosseiras e a verdadeira natureza das coisas pode ser refletida na claridade resultante em sua mente.
(Lama Zopa Rinpoche, Wisdom Energy)
Como atuam os mantras? O som exerce um poderoso efeito sobre nosso corpo e nossa mente. E pode acalmar-nos e dar-nos prazer ou ter influência desarmoniosa, gerando uma sensação sutil de irritação. O mantra é ainda mais poderoso do que um som comum: é como uma porta que se abre para a profundidade da experiencia. Visto que os mantras não têm sentido conceitual, não evocam respostas predeterminadas. Quando entoamos um mantra, ficamos livres para transcender os reflexos habituais. O som do mantra pode tranqüilizar a mente e os sentidos, relaxar o corpo e ligar-nos com uma energia natural e curativa.
(Tarthang Tulku, A mente oculta da liberdade)
[R]ecitamos e meditamos sobre o mantra, que é o som iluminado, a fala da divindade, a união do som com a vacuidade. [...] Ele não possui uma realidade intrínseca, é simplesmente a manifestação do som puro, experienciado simultaneamente com sua vacuidade. Através do mantra, não nos apegamos mais à realidade da fala e do som encontrados no cotidiano, mas os experienciamos como sendo vazios. Então, a confusão do aspecto da fala de nosso ser é transformada na consciência iluminada.
(Kalu Rinpoche, The Dharma) | |